“Insistiu para que eu o xingasse”
Depois de um dia de intensa repercussão popular, especialmente pelas redes sociais, o papel da Guarda Municipal voltou a ser discutido em Tubarão. Muito provavelmente vai ficar tudo por isso mesmo, mas não podemos deixar de lado o centro da discussão, que foi o uso de violência totalmente desproporcional na abordagem a um cidadão que estava trabalhando, estivesse ele certo ou errado. Ainda que tenha cometido desacato,o cidadão não pode ser agredido covardemente por dez pessoas usando spray de pimenta e até sacando armas de fogo. Isso é inadmissível, por mais que o cidadão eventualmente estivesse errado.
Também não vem ao caso discutir a ocupação irregular de espaços por parte dos vendedores ambulantes. Isso precisa ser fiscalizado e punido, mas virou caso menor depois de um cidadão, certo ou errado, sofrer a humilhação que sofreu, chegando ao ponto de ficar apenas de cueca na delegacia.
A acusação de que foi coagido a xingar o guarda sob filmagem é gravíssima.
A prefeitura, infelizmente, não parece disposta sequer a discutir o assunto.
Comerciante se recupera de agressões
TUBARÃO – Com dores pelo corpo e enjoos, Douglas Pinheiro Borba, de 31 anos, se recupera das agressões sofridas na noite de terça-feira. O proprietário do Rei da Gula conta que recebeu ameaças e relembra como ocorreu a prisão feita pela Guarda Municipal de Tubarão.
“Estou com vergonha de sair de casa e de ir trabalhar com o meu rosto como está. Passei o dia enjoado e não consegui comer direito, com o corpo dolorido. Nunca fui preso, não tenho antecedentes criminais, sou um trabalhador e ainda não aceitamos o que aconteceu”, afirma Douglas.
O comerciante relembra como iniciou o tumulto. “Estava filmando o veículo deles e, de forma grosseira, um guarda disse que eu não poderia. Respondi que o celular era meu e eu filmava o que eu quisesse. Nisso, ele disse que me prenderia por desacato e falei para que fosse acionada a Polícia Militar, além de ter dito que se me prendesse era uma baita de um palhaço, porque não estava fazendo nada de errado”, descreve.
De acordo com Douglas, quando percebeu, já estava sendo agredido. “Depois disso, não tive tempo de dizer mais nada, quando vi já estavam todos em cima de mim. Fui agredido e levado na delegacia, onde um guarda também me ameaçou e insistiu para que eu o xingasse, enquanto gravava com um celular. Onde estávamos havia uma câmera de monitoramento da delegacia e vamos solicitar que as imagens sejam verificadas”, revela Douglas, após acrescentar que dará continuidade ao processo.Durante o tumulto, famílias que faziam lanche nos cachorros-quentes estacionados em frente à Casa da Cidadania tiveram que sair correndo e alguns também ficaram revoltados. Duas crianças chegaram a ser atingidas por sprays de pimenta utilizados pelos guardas municipais.
Data: 22/12/2011




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