sábado, 19 de maio de 2012

Debate (pouco) ampliado sobre a BR-101

Não se discute que é preciso pressionar o governo federal sobre os problemas gerados pelos atrasos na obra de duplicação da BR-101 no trecho Sul de Santa Catarina. Isso é ponto pacífico. Ainda que a eventual responsabilidade seja das empreiteiras, elas foram contratadas pelo governo federal.

Nós pagamos impostos à União e é ela que nos deve satisfações. Toda pressão é válida e justa, porque todos os argumentos práticos se diluem na demora que o governo encontra para solucionar os entraves.

Porém, é preciso ampliar um pouco o debate e considerar outros argumentos secundários no debate.

  • A cobrança precisa ser feita junto aos deputados federais da região, Edinho Bez (PMDB) e Jorge Boeira (PSD). Eles foram eleitos para nos representar junto ao governo federal. É para isso que eles são pagos e ambos se dizem da base governista.
  • É obrigação também dos outros 14 deputados federais eleitos por Santa Catarina, porque eles representam todo o Estado, e não apenas as suas regiões. Mas é natural esperar que o movimento parta do Sul.
  • Nossa representação no Congresso é inexpressiva.
  • É preciso lembrar também que essa obra é promessa de décadas, e jamais foi tirada do papel. A culpa também é dos governos antecessores, que empurraram a questão com a barriga e permitiram que o problema se acumulasse.
  • O problema também é esse porque não temos rotas alternativas. Se a Interpraias tivesse saído do papel, muita gente que hoje entope a BR-101 estaria nesta outra via.
  • Se metade da carga que cruza o País em caminhões pudesse viajar de trem, o problema seria muito menor. Não podemos discutir a BR-101 sem nos perguntar por que o transporte ferroviário foi sucateado.
  • Sem falar também no transporte ferroviário de pessoas, que também poderia ser uma alternativa turística.

Nada disso diminui a responsabilidade do governo federal. Nada. Quem é eleito assume a responsabilidade de resolver um problema no estágio em que ele se encontra. Essa é a obrigação do governo Dilma, como foi a do governo Lula e de seus antecessores.

Porém, jogar toda a responsabilidade apenas em cima do PT, sem contextualização histórica, social e política, é empobrecer um debate.

A quem será que interessa empobrecer o debate?


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