sábado, 19 de maio de 2012

Salário e demagogia

O poder Legislativo brasileiro passou a ser muito fiscalizado pela população brasileira, o que é ótimo _ e seria ainda melhor se o procedimentro fosse feito de maneira igualmente severa com os poderes Executivo e Judiciário, que também são sustentados com os nossos impostos e nos devem as mesmas explicações. O fato de o Legislativo entrar na mira das críticas faz com que surjam os bons exemplos e também a demagogia. Nesta semana, surgiu o assunto do salário dos vereadores de Tubarão. Hoje, cada vereador tem rendimento mensal de cerca de R$ 6 mil e direito a três assessores _ o que nem sempre é cumprido à risca, porque os suplentes que assumem costumam herdar as indicações dos licenciados. É pouco? Claro que não. Porém, o discurso de que o vereador não precisa de salário não apenas é um erro, mas também uma maneira de falar o que muita gente quer ouvir sem contribuir com o debate. O vereador João Fernandes (PSDB), por exemplo, tem defendido a redução dos vencimentos. Porém, é preciso recordar que o mesmo João é quem fez uma reforma na sede da Câmara quando era presidente. Reforma com dinheiro público (é claro) num prédio privado. Esse é o vereador que quer economizar o nosso dinheiro? Ele pegou o dinheiro da Câmara e aplicou em melhorias de um prédio que tem dono. E mais: alterando a fachada do local, o que pode fazer com que o locatário exija que a mudança seja desfeita quando o prédio for devolvido. Se queremos vereadores que de fato fiscalizem a prefeitura, temos que pagar por este trabalho. Podemos e devemos discutir qual deve ser o valor deste pagamento, sem esquecer o cabide de assessores que fica escondidinho. Mas sem demagogia e sem populismo.

 

 


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