A campanha eleitoral em Tubarão mal começou. A campanha em rádio e TV ainda vai esperar quase um mês. Temos, portanto, um quadro eleitoral extremamente preliminar, sujeito a investidas e mudanças de várias naturezas. O fato, porém, é que temos, neste momento, uma inegável onda Olavio, que reflete o que as pesquisas qualitativas indicam: vontade de mudança na população da cidade e personificação desta mudança no líder dos levantamentos quantitativos.
Surge em alguns senadinhos a tese de que Olavio lidera as pesquisas exclusivamente por conta de sua aprovação pessoal e que ela vence até mesmo uma rejeição que a cidade teria ao PT. Há quem ache que Olavio precisa tratar com discrição a sua filiação partidária durante o pleito.
É evidente que o principal fator que leva Olavio a este quadro é a sua história pessoal, de envolvimento comunitário e zelo à ética na iniciativa privada. Mas apostar numa rejeição ao PT pode ser arriscado.
Vou me basear em números. Vejamos as votações conquistadas pelos candidatos a presidente do PT em Tubarão nas últimas eleições:
Eleições 2010
| Candidato |
1º turno |
2º turno |
| Dilma |
38,5% |
40,6% |
| Serra |
54,5% |
45,5% |
Que rejeição é essa que faz a candidata a presidenta de um partido que sequer vereador tem disputar em pé de igualdade a eleição com o candidato do partido que está no terceiro mandato seguido na prefeitura? É um dado a se considerar.
Os índices de aprovação do governo federal na cidade também são altos, embora não haja levantamento registrado sobre o assunto.
Em 2006, no seu pior momento de popularidade, o ex-presidente Lula foi o mais votado no município. Em 2002, o desempenho chegou ao espetacular – embora se saiba que aquela foi uma eleição atípica.
Eleições 2006
| Candidato |
1º turno |
2º turno |
| Lula |
35,0% |
51,5% |
| Alckmin |
51,3% |
48,5% |
Eleições 2002
| Candidato |
1º turno |
2º turno |
| Lula |
63,9% |
69,5% |
| Alckmin |
19,1% |
30,5% |
Há quem diga, no entanto, que a rejeição existe e é restrita ao âmbito local.
É evidente que o PT de Tubarão não é um colecionador de vitórias eleitorais. Mas até que ponto isso se deve à tal rejeição e até que ponto a “culpa” é do próprio PT, que jamais apresentou uma chapa de candidatos a vereador efetivamente competitiva?
Quando falo em “culpa”, as aspas são claras. O PT dispõe de pouca estrutura, é tocado por voluntários e isso cria dificuldades para a disputa eleitoral, cada vez mais profissional – até demais.
Nas eleições de 2008, o PT poderia ter lançado até 15 candidatos a vereador e teve apenas nove candidatos. Ainda assim, acumulou 5,3 mil votos. Apenas três partidos tiveram mais votos que o PT na cidade: PSDB, PMDB e PP. A diferença de estrutura nem precisa ser mencionada.
Outros partidos, como PPS, PDT, PR, PTB e DEM (depois PSD), tiveram representação na Câmara por conta das composições de coligação.
São as regras do jogo, não cabe qualquer contestação. Mas o PT não deixou de eleger vereador porque foi rejeitado pela cidade, mas sim por não ter lançado a melhor chapa que poderia.
Discordo, portanto, das teses de alta rejeição ao partido na cidade. Com base nesses números.
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