|
Diário do Sul – Quem é Jaison Cardoso?
Jaison Cardoso – Eu sou um esportista de Imbituba. Joguei futebol por muito tempo, inclusive participando de campeonatos amadores aqui de Tubarão. Fui goleiro do Treze de Maio, do Pedreira (União Operária), do Pinheirinho, cheguei a treinar por 30 dias no Ferroviário quando o Lico era o treinador. Eu não tinha nada a ver com a política até 2000, quando recebi um convite para ser candidato a vereador do então prefeito Osny (de Souza Filho, do PMDB) e do vice Jatir (Amorim), o popular Catuta. Aí ingressei na política, dois dias antes da eleição. Tive a felicidade de me eleger. Na época eram dois vereadores do PSDB: eu e o Beto Martins, que hoje é o prefeito da cidade por dois mandatos. Depois participei de mais duas eleições para vereador e tive a felicidade de me eleger.
Diário do Sul – O senhor entrou na política então através do ex-prefeito Osny?
Jaison – Na verdade, recebi o convite dele. Um primo do meu pai, Mário Teixeira, é um político tradicional de Imbituba e uma pessoa que sempre procurei me identificar com o seu trabalho. Uma pessoa muito firme e séria. Desde que me elegi pela primeira vez, me dediquei inteiramente à política. Estudando bastante, me dedicando à função. Fui vereador de situação por dois anos e depois nós iniciamos um projeto político e um projeto para a cidade que começou comigo e com o Beto, os vereadores do PSDB na época. Viramos vereadores de oposição e entregamos todas as funções administrativas que o PSDB tinha na administração. Nós éramos pequenininhos. Dos 13 vereadores da época, éramos apenas dois, com o apoio do vereador Dorlin Nunes Júnior, que era filiado ao PDT e também veio para o PSDB na época. E tivemos sucesso já em 2004, com o Beto eleito prefeito. Depois ele foi reeleito.
Diário do Sul – E que projeto é esse?
Jaison – O meu projeto é a continuidade do modelo administrativo implementado em Imbituba a partir de 2005, mais voltado para a gestão do que para a política.
Diário do Sul – O fato de o senhor ter iniciado a sua trajetória política apoiando um governo do PMDB pode facilitar o apoio do partido à sua candidatura?
Jaison – Não só pode como facilitou. Eu sou filiado ao PSDB há cerca de 14 anos, mas com 18 anos eu era membro do diretório do MDB. Minha família sempre foi, tradicionalmente, emedebista. Por isso a minha relação com a base do PMDB. Quando eu fui vereador de oposição, nos dois últimos anos do meu primeiro mandato, sempre procurei fazer uma oposição muito responsável, em cima de ideais. Nada pessoal contra o prefeito, apenas contrariando a forma administrativa que ele implantava. Eu achava que Imbituba tinha um potencial bem maior. Por isso tenho facilidade em conversar com os membros do PMDB, inclusive o ex-prefeito Osny, que hoje tem um filho pré-candidato a vereador.
Diário do Sul – O fato de Beto e Osny terem polarizado as disputas políticas de Imbituba nos últimos anos não torna essa união complicada?
Jaison – Nem o Beto, nem o Osny são candidatos. Os pré-candidatos a prefeito de Imbituba hoje somos eu, Christiano (Lopes de Oliveira, do PSD) e Rosenvaldo Júnior (PT). Talvez André Igreja (PDT) e Jorge Nasser (PTB). Então, não vejo problema nenhum em uma composição entre PSDB e PMDB. Não estão se coligando Osny e Beto, mas sim PMDB, PSDB, PP, PPS, DEM, PSC e PSL. São sete partidos que já estão elaborando um plano de governo e indo às comunidades ouvir quais são as suas maiores necessidades.
Diário do Sul – Quais seriam as prioridades de seu governo?
Jaison – Como regra geral, manter o modelo administrativo que fez a cidade crescer o dobro do que cresceu Santa Catarina e o país. Um modelo essencialmente voltado à gestão. Não tem como tirar a política da administração pública, mas temos que estar voltados à gestão. Vamos trabalhar intensamente na busca de receitas para a cidade, pois dificilmente se consegue administrar sem dinheiro. E trabalhar de uma forma eficaz no controle das despesas, como fez o Beto. Nestes sete anos, nem tudo ele acertou e nem tudo ele errou. Houve erros e nosso plano é consertá-los.
Diário do Sul – Quais foram esses erros?
Jaison – Nós temos que profissionalizar a estrutura administrativa da prefeitura, o próprio pessoal. Isso dará mais eficácia à gestão. Existem outros aspectos. Imbituba vinha numa decadência econômica desde os anos 90 e a autoestima da população estava em baixa. Muita coisa foi feita, mas muita coisa há por fazer. Nós nos dedicamos pouco à questão ambiental e ao déficit habitacional que existe na cidade. Trabalhamos muito o turismo na divulgação e na infraestrutura, mas precisamos avançar no turismo religioso, que é um filé que temos e não estamos aproveitando quanto à Santa Paulina. Temos um convênio assinado com governo do Estado de R$ 12 milhões, com R$ 500 mil de contrapartida da prefeitura, para se fazer um monumento de 45 metros no Morro da Antena da nossa cidade. O projeto do monumento já foi licitado e estamos preparando a forma. O turismo em Imbituba é muito desenvolvido na temporada de verão, mas temos que aproveitar melhor o turismo religioso e a baleia franca.
Diário do Sul – A forma de aumentar a receita da cidade seria seguir investindo na atração de grandes empresas?
Jaison – O governo do Beto, nos últimos sete anos, fez a cidade crescer bastante. Nós arrecadávamos em 2005 em torno de R$ 23 milhões. Fechamos 2011 com arrecadação de R$ 73 milhões. Isso é importante, mas não é o mais importante. O Beto plantou, investiu muito no porto, que estava sucateado e hoje está pronto para o desenvolvimento. Ele buscou a Votorantim, que gerou empregos, mas até hoje não nos deu nenhum retorno financeiro. Vai começar a dar na metade do ano que vem, de R$ 8 milhões a R$ 10 milhões por ano de ISS. O Beto fez uma ótima plantação, que nós temos que saber colher. Nem tudo está perfeito. Nós temos falta de vagas nas creches porque Imbituba tinha um alto índice de desemprego. Quando os empregos começaram a aparecer, as mães passaram a ocupar estes postos e nós não estávamos preparados para atender a essa demanda. Temos que pensar na cidade para daqui a cinco ou dez anos. Como vai estar o trânsito, com a cidade pronta para crescer? Como vai estar a educação, com o crescimento populacional que deveremos ter? A cidade vive uma expectativa muito grande.
Diário do Sul – Esse crescimento já dá sinais?
Jaison – Em 2005, Imbituba era a quinta cidade da região em arrecadação. Perdia para Tubarão, Braço do Norte, Capivari de Baixo e Laguna. Hoje perde apenas para Tubarão, já é a segunda. Com todo o respeito que temos por Tubarão, mas nos próximos cinco anos nós vamos chegar ao primeiro lugar. Foram investidos R$ 500 milhões no porto, isso nenhuma empresa privada sem esperar retorno. A dragagem do porto deve se resolver em 2012, para que possamos receber os navios Post-Panamax. São navios enormes, com grande capacidade de carga. E o nosso porto será o único de Santa Catarina que poderá receber estes navios por causa de seu grande calado. Após a dragagem, o movimento do porto deve subir de 200% a 300%, e a nossa receita vai crescer muito. |
Comentários